Soja: Cenário Macroeconômico e Clima nos EUA Limitam Ganhos na CBOT

Sem novidades que deem um impulso às cotações, o mercado futuro de soja tende a continuar andando de lado e dentro de um intervalo recente. O clima até o momento não é uma preocupação para a soja dos Estados Unidos mas o cenário macroeconômico envolvendo
Europa e China é incerto. Ontem, pelo segundo dia seguido, a soja fechou quase estável na bolsa de Chicago (CBOT), limitada pela falta de novidades sobre a demanda. A China, maior importador mundial, afastou-se do mercado, e o contrato novembro subiu apenas 0,50 centavo, ou 0,04%, para terminar cotado a US$ 13,1850 por bushel.
"O mercado está tentando se recuperar das perdas da semana passada, porque caiu mesmo com fundamentos altistas. Aos poucos a soja vai buscar patamares mais altos, e o primeiro objetivo seria voltar aos US$ 14. Mas (no curto prazo) o clima e o humor financeiro estão contra isso", avaliou Steve Cachia, da Cerealpar.
Traders já estão de olho nas previsões meteorológicas que indicam clima muito quente e seco para o desenvolvimento da safra. Por enquanto, eles consideram prematura qualquer preocupação em relação à soja. Segundo Luiz Felipe Vilera, da Icap Corretora, no momento o foco está mais em cima do milho, que está em período de polinização e poderia ser mais afetado.
Além disso, ele lembra que a situação de Grécia e Portugal ainda preocupa investidores, que preferem agir com mais cautela e limitam a entrada de recursos, o que se reflete na ausência de compras apesar das perdas recentes. A China, por sua vez, elevou as taxas básicas de juros - em 0,25 ponto porcentual - pela terceira vez neste ano e amplia temores de desaquecimento da demanda. E, por fim, as condições das lavouras nos
Estados Unidos melhoraram."Isso tudo só leva a um caminho, que é para baixo. O mercado pode ficar meio de lado até terça-feira (12), quando o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulga novo relatório de oferta e demanda", disse Vilera.
O mercado interno continua lento, apenas com registro de alguns negócios aqui e ali. Ontem foram negociadas 3 a 5 mil toneladas no sul de Mato
Grosso Sul a R$ 41, R$ 1 a mais do que na semana passada. Mas, segundo uma fonte, foi apenas por necessidade do vendedor.
Já em Mato Grosso, Carlos Eduardo Lazzari Anghinoni, da Mauá Corretora, diz que não sabe de ninguém que queira vender na região de Rondonópolis. O comprador vem oferecendo algo em torno de R$ 40 a saca, mas o produtor parece não estar precisando de dinheiro no momento porque vem negociando milho safrinha.
Em Paranaguá, segundo a AllGrain, foram negociadas 60 mil toneladas, com embarque entre 15 de agosto e 10 de setembro e prêmio de US$ 0,91 por bushel.
Com a colheita encerrada, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou ontem a safra 2010/11 brasileira em 75,04 milhões de toneladas. O volume é 9,2% ou 6,35 milhões de toneladas superior à produção obtida na safra 2009/10, quando foram colhidas 68,69 milhões de toneladas.
Por: Laercio Jorge Viera popopo






